sexta-feira, 24 de junho de 2011

Poesia

Como os velhos poetas ela tinha a tristeza como companhia. Subitamente ,nem mesmo as gotas de chuva no asfalto podiam trazer de volta as lágrimas contidas que a faziam escrever.  Desaprendeu.  As palavras não mais caíam no papel.  Restava apenas a incansável vontade de poetizar a vida.

sábado, 11 de junho de 2011

Vinho tinto


O sábado terminou afogado nas palavras presas na taça de vinho, tinto e gelado como a noite.

Flor amarela


Persianas pretas escondem a luz do dia. Computadores, armários, garrafa térmica de café e gente que entra e sai embalada numa rotina chata. Ainda bem que esqueceram uma pequena fresta da janela aberta, onde é possível ver a flor amarela do jardim...

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A vida só é possível reinventada

Reinvenção
A vida só é possível
reinventada.


Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... — mais nada.


Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.


Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.


Não te encontro, não te alcanço...
Só — no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só — na treva,
fico: recebida e dada.


Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Cecília Meireles