na sala fria
angústias
escorrendo
nas
palavras
pelo
papel
desabafar solitário
choro imprevisível e
uma vontade de não ser
(abril 2011)
Deixe-me aqui, na fantasia
E se o Carnaval fosse o "novo normal"? Abriríamos o armário para escolher a fantasia e após o batom azul, a purpurina nas bochechas e os cabelos coloridos sairíamos para trabalhar. No caminho brincaríamos com as crianças pelas calçadas, conversaríamos com estranhos como se fôssemos amigos de infância, sorrisos não iriam faltar. Não teríamos vergonha do nosso jeito desajeitado de dançar e até cantaríamos como num recital. No trabalho seríamos recebidos pelo arlequim, daríamos aulas para fadas, unicórnios, heróis e palhaços. Nossos maiores sonhos seriam eternizados e, feito criança, riríamos até doer a barriga. Se é para ter uma nova realidade me permita ficar aqui, na fantasia.
#fotocarnaval2020
#desabafocarnaval2021
underground
existem aqueles
que procuram a escuridão
querem não enxergar
só por um instante
como se ali, no breu,
tudo fosse permitido
os medos fossem engolidos
na música estridente
e melancólica
as rugas sumissem
em detrimento da beleza
alcoólica
parecem fantasiados
num Carnaval às avessas
onde a folia bate cabeças
e chora nostalgias
(abril 2017)
oração
quando a gente
reza
a alma se
acalma
e uma certa
leveza
toma conta
do nosso corpo
quanto se reza
em quatro décadas?
quão calma
pode ser a alma
ou leve pode
ser o corpo?
não importam
os deuses
nem o tamanho
da prece
a melhor
oração
me levou à
profundidade
de mim
e foi capaz de
me trazer
à superfície
num suspiro.
edifício
quando
uma parte
de
mim se for
já
não serei esta que sou
não
saberei o que restou
nem
me recompor
o
pior cárcere
você
mesmo cria
tem
porta aberta
sem
chave,
sem
tranca,
panóptico
de si mesmo
há
demoramento
nessa
frágil ideia
de
carregar mundo
falta
tempo
obra
que não termina
não
há restauração
não
há sequer cal
para
pintura barata
as
vigas do meu edifício
estão
corrompidas
não
sustentam mais
minha
própria morada