edifício
quando
uma parte
de
mim se for
já
não serei esta que sou
não
saberei o que restou
nem
me recompor
o
pior cárcere
você
mesmo cria
tem
porta aberta
sem
chave,
sem
tranca,
panóptico
de si mesmo
há
demoramento
nessa
frágil ideia
de
carregar mundo
falta
tempo
obra
que não termina
não
há restauração
não
há sequer cal
para
pintura barata
as
vigas do meu edifício
estão
corrompidas
não
sustentam mais
minha
própria morada


