domingo, 5 de novembro de 2017


















menina Dalva

 

pés descalços,

terra molhada,

cortina de nuvens dispersando 

sua voz, suave

apontando Dalva

ensina a ver

 

quantas Marias

se perderam

quantos pedidos

não foram feitos

porque não souberam

contar estrelas

 

morar na cidade

é não ver

esquecimento de céu

luzes invertidas na contra mão

 

domingo, 4 de junho de 2017



das incansáveis porradas da vida
que entram sem pedir licença
invadem a sala da inexperiência
ignoram o tempo de cozimento de uma dor
e no espelho do banheiro desaguam em desilusões

na varanda só o barulho do silêncio
o suspiro da rede balançando, vazia

sem bater na porta
as incansáveis porradas da vida
invadem sorrateiramente a casa
e desassossegam quase um quarto de existência

sábado, 22 de abril de 2017





tempo que envelhece sem querer
peso nas costas, dor na consciência
respira ansiedade, transpira nostalgia
não quero hora para existir
dessa que desliga o despertador
quero infinita existência
daquela que confunde noite e dia

domingo, 15 de janeiro de 2017



Queria escrever feito Galeano no Livro dos Abraços. Crônica da amizade. Apenas contando que sentamos no bar e vivenciamos uma História de mais de 10 anos. Que éramos felizes e sabíamos disso. Vivíamos intensamente todos os dias e estarmos juntos bastava. Mas a vida, o tempo, tudo passa.  A gente começa a se multiplicar. Uma está em Berlim, mas está aqui. Outra preparando a mala para atravessar o Atlântico e (re)viver uma paixão. Há quem medite e questione o frenesi da mente. Há quem ainda pare num boteco para comprar a última cerveja. Amanhã? A promessa de mais um viver no mês seguinte. Assim contamos os anos de amizade, de bem-querer.