das incansáveis porradas da vida
que entram sem pedir licença
invadem a sala da inexperiência
ignoram o tempo de cozimento de uma dor
e no espelho do banheiro desaguam em desilusões
na varanda só o barulho do silêncio
o suspiro da rede balançando, vazia
sem bater na porta
as incansáveis porradas da vida
invadem sorrateiramente a casa
e desassossegam quase um quarto de existência
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